Vulcão ao amanhecer durante o MBA do Mochileiro
MBA do Mochileiro
218 dias
15 países
01 única travessia

O que nasceu como pausa se transformou em método de observação.

Depois de 16 anos em operações, varejo, liderança de equipes e Customer Experience, escolhi atravessar o mundo para ampliar minha forma de observar.

Descer
A decisão

Antes da estrada, a escolha.

Parti do Brasil em 24 de outubro de 2024, aos 40 anos recém-completados.

Deixei para trás um cargo estável, um salário bom e uma operação que eu gostava de liderar. Não havia crise me empurrando para fora. Havia uma escolha: depois de um ciclo intenso em ambientes de alta pressão, eu precisava de distância para reconstruir repertório e recuperar a capacidade de observar.

Entendi o tamanho dessa decisão no meio da viagem, num barco na Tailândia, cercado de viajantes acompanhados de famílias e namorados. Todos faziam a mesma pergunta: como você teve coragem de fazer isso sozinho? Até aquele momento, uma parte de mim achava que estava fugindo. Foi ali que percebi o contrário: eu estava fazendo o maior movimento deliberado da minha carreira.

A rota

15 países como campo de leitura.

CAP. 01 · Itália · 24/Out a 11/Nov
Registro de Bolonha durante a viagem pela Itália

A primeira
leitura

Cheguei em Milão exausto do fuso e do voo, e ainda assim fui direto ver a cidade: a Catedral, a Santa Ceia de Da Vinci, os museus. Em Florença, vivi na pele o efeito que a arte produz em quem chega desavisado. Saí da Praça dos Uffizi genuinamente mexido. Diante do Davi de Michelangelo, o que ficou não foi a beleza da escultura, mas a constância por trás dela: uma obra daquele tamanho não nasce de talento em um dia, nasce de trabalho contínuo sobre um único objetivo.

Em Bolonha, dediquei dias a dominar a técnica de panning na fotografia. Repetição deliberada até a imagem sair como eu queria. Uma das fotos mais bonitas que já fiz nasceu ali.

Roma me entregou a leitura mais executiva da Europa. Minha primeira impressão foi dura: uma cidade feita só de pedra. Com os dias, entendi que aquela pedra carregava mais de dois mil anos de história, e que minha primeira leitura tinha sido rasa.

Roma funciona como aquele colaborador fechado, que parece ríspido no primeiro contato e por isso afasta as pessoas. Quem tem tempo e disposição de conhecer a história dele descobre profundidade. Quantos profissionais são descartados na primeira impressão por gestores que nunca passaram da superfície?

O que isso ensina sobre liderança

Primeira impressão é hipótese, não diagnóstico. Pessoas, cidades e operações exigem tempo de leitura antes do julgamento.

Milão · Florença · Siena · Pisa · Bolonha · Roma
CAP. 02 · Vaticano · 24/Out a 11/Nov
Cidade do Vaticano

O menor
país do mundo

Num domingo em Roma, atravessei a fronteira mais curta da viagem e entrei no menor país do mundo. Da Praça de São Pedro, vi o Papa Francisco na janela da biblioteca. Eu não planejava estar ali; meu marido insistiu de longe para que eu fosse. Fui, e vi um Papa.

Um Estado de 44 hectares, sem varejo, sem trânsito, sem rotina comum, e ainda assim uma das instituições com maior capacidade de influência do planeta. Tamanho e impacto são variáveis independentes.

Cidade do Vaticano
CAP. 03 · Tailândia · 13/Nov a 19/Dez
Tailândia como campo de leitura

Confiança como infraestrutura

Desembarquei em Bangkok depois de mais de 30 horas de viagem, com escala em Omã. Na rodoviária lotada, deixei o mochilão e a mala de equipamentos num banco e fui comprar comida longe, sem visão das minhas coisas. Voltei e estava tudo intacto. Para um brasileiro, isso é um choque de realidade: eu estava num lugar onde a confiança funciona como infraestrutura invisível.

Essa leitura se repetiu nos dias seguintes. Passei a comer todos os dias no mesmo lugar, onde ninguém falava inglês. Eu apontava, a senhora combinava os pratos por mímica, e eu aceitava. Aprendi ali uma lição direta de venda: confiar em quem vende.

No trem noturno de 16 horas entre Bangkok e Chiang Mai, cercado de mochileiros, com o vento da noite no rosto, percebi que algo interno estava começando a mudar. Em Chiang Mai, vivi o festival das lanternas e observei de perto a economia da comida de rua: barracas com estrela Michelin, receitas que passam de geração em geração, vendedores lendo cada cliente que se aproxima.

Em Ayutthaya, andando sem rumo debaixo de 40 graus depois de encontrar um templo fechado, segui um fluxo de pessoas entrando num lugar que não estava no meu mapa, e encontrei um dos templos mais bonitos da viagem. O plano me levou até ali; sair do plano me levou ao que valia a pena.

Em Koh Lipe, uma cabana de bambu à beira-mar virou ponto de retorno. Fiquei sete dias onde planejava ficar dois. Foi ali que comecei a me reconstruir de verdade, e fiz um ensaio fotográfico em preto e branco que marca esse ponto de virada.

O que isso ensina sobre Customer Experience

Confiança barateia tudo: a venda, o atendimento, a operação. Onde ela existe como norma cultural, o cliente decide mais rápido e volta mais. Onde não existe, cada transação carrega custo de vigilância.

Bangkok · Chiang Mai · Chiang Rai · Ayutthaya · Phuket · Phi Phi · Krabi · Koh Lipe
CAP. 04 · Malásia · 20/Dez

Passagem

Dois dias em Langkawi, na travessia entre a Tailândia e Singapura. Nem toda etapa de uma jornada precisa render história. Algumas existem para conectar as que rendem.

Langkawi
CAP. 05 · Singapura · 21 a 24/Dez
Singapura durante a travessia

A cidade que desenha experiência

Saí do metrô, a primeira cidade da viagem em que não me perdi no caminho do hostel, e me vi cercado de templos indianos, comida indiana, cultura indiana. Eu estava em Little India, e por alguns dias vivi a Índia dentro de Singapura. Uma cidade que organiza suas culturas em bairros inteiros, sem diluí-las.

Na noite de 23 de dezembro, no Gardens by the Bay, uma tempestade caiu no meio do show de Natal. Ninguém foi embora. As pessoas ficaram na chuva, de capa e guarda-chuva, cantando. A experiência era forte o suficiente para valer o desconforto, e me devolveu memórias de infância que eu não visitava havia anos.

O que isso ensina sobre experiência

Experiência bem desenhada segura as pessoas até na tempestade. Quando o momento importa, o desconforto vira parte da história, não motivo de abandono.

Singapura
CAP. 06 · Indonésia · 24/Dez a 27/Jan

Risco, preparo e leitura de cliente

Cratera do Ijen na Indonésia

Cheguei em Bali na noite de Natal. Nos primeiros dias, resolvi aprender a andar de moto, sem nunca ter pilotado, num dos trânsitos mais caóticos que já vi. Perguntei onde se aprendia, um homem na rua topou ensinar na hora, e três horas depois eu sabia pilotar.

Na sequência vieram os três vulcões. O Monte Batur, meu primeiro trekking. O Bromo, onde caminhei na borda da cratera ativa, com a fumaça subindo ao lado. E o Ijen, a experiência mais profunda da viagem.

Antes do Ijen, um hostel de diária de 40 reais em Ketapang me deu uma das maiores aulas de jornada do cliente da viagem. O atendente identificou que eu era brasileiro, sorriu e perguntou: você vai escalar o Ijen, certo? E o Bromo, vai depois? Me chamou para sentar, trouxe dois cafés e apresentou o pacote completo. Fechei na hora.

A leitura mais valiosa sobre serviço, porém, veio numa madrugada banal. Numa cidade pequena do interior de Java, meu ônibus para Yogyakarta não apareceu no horário. Um senhor de uns 75 anos, que vendia café ali, largou a barraca, me levou a pé até a casa de um motorista da empresa, acordou o sujeito, e o motorista ligou para o colega que dirigia o meu ônibus para segurar a viagem.

O que isso ensina sobre operações

Processo existe para garantir o mínimo. Resolução de verdade vem de gente que assume o problema do outro como seu e lê a próxima dor do cliente antes de ouvi-la.

Bali · Ketapang · Probolinggo · Yogyakarta · Denpasar
CAP. 07 · Filipinas · 28/Jan a 10/Fev
Filipinas durante a viagem

Ler o risco,
decidir rápido

Manila, Coron, El Nido, Puerto Princesa. A chuva encurtou os passeios e mudou os planos mais de uma vez. Em Puerto Princesa, veio o alerta de tempestade vermelha: previsão de mais de 600 milímetros de chuva. Meu voo era às dez da noite; consegui antecipar para as sete e saí antes do pior.

A viagem inteira treinou isso em ciclos curtos: ler o cenário, aceitar que o plano mudou, decidir com a informação disponível e agir sem drama. Nas Filipinas, o ciclo rodou em horas.

O que isso ensina sobre decisão

Plano é hipótese com data. Quando o contexto muda, o custo de insistir no plano original costuma ser maior do que o custo de refazê-lo.

Manila · Coron · El Nido · Puerto Princesa
CAP. 08 · Camboja · 11/Fev a 12/Mar
Camboja durante a travessia

O método rodando em tempo real

Cheguei em Phnom Penh com uma sensação estranha de familiaridade: depois de dois meses de Ásia, algo ali parecia legível. Mas o Camboja só se torna compreensível para quem mergulha na história recente. Visitei a escola transformada em prisão pelo regime do Khmer Vermelho e os campos onde os corpos eram descartados.

Em Siem Reap, vi o nascer do sol em Angkor Wat e fui atrás do que ele é de verdade. Entender o que um monumento é e por que existiu muda completamente o que se vê nele. Vale para templos e vale para empresas: todo legado tem um propósito de origem, e quem não o conhece enxerga só a fachada.

Foi no Camboja que meu método rodou em tempo real, sem eu planejar. Eu tinha organizado sete dias de voluntariado numa vila ribeirinha em Koh Rong Sanloem. No meio da madrugada, dentro do ônibus de nove horas entre Siem Reap e a costa, recebi a mensagem: o anfitrião não poderia mais me receber.

Ali rodou o ciclo completo. Ler: o voluntariado caiu, estou em movimento, tenho horas para resolver. Interpretar: o problema não é o destino, é a hospedagem; a ilha continua valendo. Decidir: mantive a travessia e resolvi onde ficar ainda dentro do ônibus, de mapa aberto. Medir: sete dias numa ilha remota sem caixa eletrônico, num hostel sobre um penhasco, nadando em mar aberto, comendo peixe pescado ali, no maior silêncio da viagem.

O que isso ensina sobre diagnóstico e decisão

Todo presente tem causa, e todo plano é provisório. Quem lê só o sintoma trata a consequência e erra a intervenção. Quem trava quando o plano cai perde o que o novo caminho tinha para entregar.

Phnom Penh · Siem Reap · Koh Rong Sanloem
CAP. 09 · Japão · 12/Mar a 02/Abr
Japão durante a viagem

Reencontro, precisão e responsabilidade

Depois de meses viajando sozinho, encontrei meu marido no Japão. Viajamos juntos por quase trinta dias e oito cidades: Osaka, Kyoto, a ilha de Miyajima, a região do Monte Fuji, onde do quarto víamos a montanha, Hiroshima, Tóquio, e de volta a Kyoto.

Em Kyoto, vesti trajes tradicionais japoneses para uma cerimônia do chá matcha e dormimos em casas antigas, no tatame. Viver um ritual centenário por dentro ensina algo que nenhuma leitura substitui: precisão e tradição não são inimigas da experiência; são a experiência.

Em Tóquio, uma cena pequena me marcou. No Japão não há lixeiras públicas; cada pessoa carrega o próprio lixo. Comprei um alimento numa lojinha e, ao devolver a embalagem, incluí junto um plástico que não era daquela loja. A atendente separou o plástico e o devolveu à minha mão, com gentileza e sem hesitação.

E o cruzamento de Shibuya me deu uma das leituras operacionais mais claras da viagem. A multidão atravessa em todas as direções ao mesmo tempo, e o sistema continua funcionando. Organizar não é silenciar o sistema; é permitir fluxo com segurança.

O que isso ensina sobre liderança operacional

A liderança madura não tenta controlar tudo. Ela cria condições para que o fluxo aconteça com clareza, ritmo e responsabilidade, e devolve a cada um o que é de cada um.

Osaka · Kyoto · Miyajima · Kuwana · Monte Fuji · Hiroshima · Tóquio
CAP. 10 · Coreia do Sul · 03 a 09/Abr
Seul durante a viagem

Design como resposta ao comportamento

Seul é a capital mundial do design segundo a UNESCO, e a cidade prova o título no detalhe: metrôs organizados, notificações públicas, semáforos pensados para quem caminha olhando o celular. Em Hongdae, o bairro do K-pop, as lojas permitem que grupos dancem na porta: a marca cede o espaço para o comportamento que a alimenta.

Foi em Seul que entendi soft power vivendo dentro dele: um país que exporta cultura como estratégia e desenha cada ambiente urbano a partir do comportamento real das pessoas.

Num fim de semana, presenciei uma grande manifestação política. Em nenhum momento senti medo. O dissenso acontecia dentro de uma organização impressionante.

O que isso ensina sobre jornada e gestão

Experiência é desenho de contexto. E conflito comunicado com antecedência deixa de ser crise: vira evento administrado. Vale para cidades e vale para operações.

Seul
CAP. 11 · Hong Kong · 09 a 15/Abr
Hong Kong durante a viagem

Extremos no mesmo metro quadrado

Em Hong Kong, uma cena resume a cidade: uma loja de rua da Cartier, algo que não existe no Brasil, e, encostada na lateral dela, a banca de uma senhora vendendo água e jornal. Luxo global e comércio popular dividindo a mesma esquina, sem conflito.

No Brasil, essa convivência seria impensável; nosso varejo separa os públicos por muros visíveis e invisíveis. Hong Kong mostra que existe outro desenho possível: quando há espaço legítimo para todo mundo, os extremos não se ameaçam.

O que isso ensina sobre varejo

Segmentar público não exige segregar espaço. A régua de quem pode estar onde é uma escolha do negócio, e ela comunica mais sobre a marca do que qualquer campanha.

Hong Kong
CAP. 12 · Vietnã · 16/Abr a 09/Mai
Vietnã durante a travessia

Desaprender, pertencer, entender

Cheguei em Hanoi vindo da ordem absoluta de Hong Kong e mergulhei na efervescência: o caos funcional das motos, o comércio transbordando das calçadas. Foi no Vietnã que me percebi inteiro de novo, sem os pedaços quebrados com que comecei a viagem.

Numa refeição, uma senhora corrigiu a forma como eu segurava os hashis, algo que eu fazia do mesmo jeito havia mais de vinte anos. A correção abriu uma pergunta maior: quantas coisas seguimos fazendo do mesmo jeito só porque funcionaram o suficiente por muito tempo?

Atravessei o país de norte a sul: as cavernas de Phong Nha, Ninh Binh, Hue, Hoi An, onde conheci o vendedor de caderninhos que virou personagem das minhas leituras, e Da Lat, onde cheguei por acaso no dia 30 de abril de 2025: os 50 anos do fim da guerra.

Em Ho Chi Minh, o museu da guerra me desmontou, especialmente o registro sobre o agente laranja. Chorei. E entendi de novo o que o Camboja já tinha ensinado: sem conhecer a história, não se entende o presente de ninguém.

O que isso ensina sobre liderança

A senioridade não está apenas no que se sabe. Está na capacidade de revisar premissas e voltar a observar com mente de principiante.

Hanoi · Phong Nha · Ninh Binh · Hue · Hoi An · Da Lat · Ho Chi Minh
Interlúdio · Bangkok · 10 a 16/Mai

A pausa para ler a própria jornada

Voltei a Bangkok antes da Europa e usei os dias para fazer o que faço com operações: li a minha própria travessia. De onde parti, o que mudou, o que eu estava levando de volta. Revi contatos, organizei registros. A jornada precisava de fechamento analítico, não só de fim.

CAP. 13 · Romênia · 17 a 20/Mai
Bucareste durante a travessia

Arquitetura
de imponência

Bucareste me surpreendeu: a avenida principal justifica o apelido de pequena Paris. Mas a leitura que levei da Romênia veio do brutalismo soviético. Diante do Palácio do Parlamento, uma construção colossal da qual metade está fechada e sem uso, entendi para que aquela arquitetura servia: fazer a imponência viver e sobreviver.

A pergunta que trouxe de Bucareste vale para qualquer empresa: quanta estrutura existe aí dentro para imponência, e quanta existe para função?

O que isso ensina sobre organizações

Estrutura que existe para impressionar cobra manutenção eterna e entrega pouco. Antes de construir, vale perguntar o que aquilo precisa fazer, não o que aquilo precisa parecer.

Bucareste
CAP. 14 · Sérvia · 20 a 23/Mai
Belgrado durante a travessia

Fora
do hype

Belgrado guarda a história nas paredes, literalmente: prédios bombardeados na guerra seguem de pé, preservados como registro do que aconteceu. Caminhei pelo parque Kalemegdan e fotografei uma das igrejas mais bonitas que já vi.

A Sérvia confirmou uma tese da viagem inteira: os lugares fora do hype entregam as leituras mais honestas, porque não performam para visitante. Visitar o que está fora do circuito e entender por que está fora do circuito virou um dos meus maiores prazeres de observação.

O que isso ensina sobre leitura de mercado

O que está fora do hype não está fora do valor. Quem só olha para onde todos olham disputa a mesma leitura com todo mundo.

Belgrado
CAP. 15 · Hungria · 23 a 31/Mai
Budapeste no fim da travessia

O fim
da travessia

Encerrei a jornada em Budapeste: três cidades, Buda, Óbuda e Peste, que se uniram em uma só. Visitei o Parlamento, o Castelo de Buda e a Basílica de Santo Estêvão, e finalizei ali a série fotográfica que atravessou a viagem inteira, chamada Por Onde Eu Ando.

O fim da travessia foi mais de compreensão do que de descoberta. Depois de 218 dias, o cérebro já não buscava o próximo uau; buscava sentido no que tinha visto. Encerrei cansado e inteiro: 218 dias, 15 países, 48 cidades, e a certeza de que a adaptabilidade tinha se tornado minha habilidade mais treinada.

Budapeste
O custo da travessia

Desconforto ensina. Alerta contínuo desgasta.

Viver fora da zona de conforto não é o que os posts motivacionais dizem.

Fazer algo pontual fora da zona de conforto é estimulante. Viver 218 dias fora dela é exaustivo. A partir de certo ponto da viagem, aprendi a criar pontos de respiro: em cada cidade onde eu ficava mais de alguns dias, encontrava um lugar para o cérebro descansar do modo reativo. Sem isso, a travessia não teria chegado ao fim.

Hoje vejo o mesmo padrão nas operações. Times que vivem ouvindo que precisam sair da zona de conforto, mas nunca recebem clareza suficiente para voltar a um porto seguro. Líderes que passam o dia apagando incêndio e chegam à reunião sem capacidade real de pensar. Uma operação saudável precisa de pontos de respiro dentro dela mesma: processos claros, papéis definidos, rituais de pausa.

O que voltou comigo

Mais repertório para ler contextos.

Cada trem, mercado, vulcão, rua, cidade, vendedor, hospedagem ou pausa trouxe uma nova forma de interpretar comportamento, serviço, liderança, cultura, operação e decisão.

Voltei com mais repertório para atuar em Customer Experience e Operações. Não apenas porque conheci novos lugares, mas porque aprendi a ler melhor os contextos onde pessoas vivem, escolhem, circulam, confiam e decidem.

E voltei com a habilidade que a viagem mais treinou: adaptabilidade. Chegar num contexto novo, ler as regras do lugar e funcionar dentro delas, em horas, não em meses.

Rogério de costas com mochila durante o MBA do Mochileiro
Próximos caminhos

Leitura,
comportamento,
operação e decisão.

Cada contexto visitado confirmou a mesma competência: chegar num sistema desconhecido, ler suas regras em horas, adaptar comportamento e operar com eficácia. Em ambientes corporativos complexos, essa capacidade tem nome: adaptabilidade multicultural, tomada de decisão em ambiguidade e construção rápida de confiança. São competências desenvolvidas em campo, não em sala de aula.