Reconhecer o assunto depois do campo
Eu não havia decidido construir uma série sobre os trabalhadores antes de chegar ao Bromo. A observação, o reconhecimento e a fotografia aconteceram durante a travessia, mas a narrativa só ganhou forma quando abri o arquivo inteiro.
A maior parte das imagens às quais eu retornava mostrava pessoas trabalhando. Havia homens conduzindo cavalos, aguardando passageiros, descansando, transportando visitantes e oferecendo objetos ligados às práticas religiosas do lugar.
Foi a recorrência dessas presenças que revelou o eixo da série. A paisagem vulcânica continuava fundamental, mas passou a funcionar como o território dentro do qual o trabalho acontecia.
Duas direções para apresentar o território
As duas primeiras fotografias foram produzidas praticamente do mesmo ponto. Uma nasceu quando olhei para a frente; a outra, quando me voltei para trás.
Eu queria que a abertura preservasse duas informações: a vastidão do Mar de Areia e a escala das pessoas diante daquele território. A primeira imagem apresenta essa relação de maneira mais distante. A segunda muda a direção do olhar e amplia a compreensão do espaço antes que a série se aproxime dos trabalhadores.
Começar com duas vistas gerais permite que as presenças humanas entrem pequenas na paisagem e ganhem importância à medida que a sequência avança.
Duas fotografias feitas a partir de direções opostas apresentam a dimensão do território antes da aproximação dos trabalhadores.
Retirar os turistas do centro
Em uma das primeiras montagens, incluí fotografias nas quais os turistas ocupavam o centro da imagem. Eram registros visualmente fortes, mas alteravam o assunto da série.
Na primeira, duas mulheres aparecem sentadas sobre um jipe. Na segunda, uma turista olha para a câmera e posa para o retrato. Na terceira, uma mulher montada no cavalo concentra a leitura, enquanto o trabalhador aparece parcialmente no primeiro plano.
As três fotografias conduziam a narrativa para a experiência de quem visitava o Bromo. O conjunto que eu havia reconhecido no arquivo seguia outra direção: o trabalho realizado por quem permanecia naquelas areias.
Retirá-las preservou o eixo da série. Os turistas continuaram existindo como contexto, passageiros e usuários dos serviços, mas deixaram de ocupar o centro da narrativa.
A fotografia podia permanecer. O assunto da série mudaria com ela.
Fotografias consideradas durante a montagem e retiradas da sequência final. Em todas elas, a experiência turística assumia o protagonismo.
Uma imagem encontrada para encerrar
A fotografia do jipe amarelo surgiu no final do percurso. Quando fotografei, eu ainda não sabia que ela encerraria uma série sobre os trabalhadores do Mar de Areia.
No arquivo, o veículo isolado assumiu outra função. Ele indica a estrutura turística sem mostrar quem a utiliza. Depois de acompanhar pessoas e cavalos ao longo da sequência, a ausência humana produz uma pausa e devolve o olhar à extensão do território.
A cor do jipe também prepara um encerramento diferente do trecho em preto e branco que o antecede. A imagem nasceu no campo sem uma função definida e encontrou sua posição quando a narrativa foi organizada.